domingo, 18 de junho de 2017

Era uma fuga desvairada
da primeira pessoa
aquela, do singular
fugia tanto do eu
com todas as forças
que nem sabia que tinha
justamente porque de si mesma
fugia
lembrava bem de nunca
olhar pra dentro
preferia prestar atenção no vento
tinha medo de encontrar
adjetivos que os outros usavam
pro seus atributos classificar
a menina não tinha aprendido
a se amar
o que não é de se admirar
afinal, quem ensina isso de uns tempos pra cá?
mas em algum momento
alguém sussurrou uma tal palavra
e m p o d e r a m e n t o
ou será que foi
a u t o c o n h e c i m e n t o
e à medida que foi organizando os pensamentos
foi descobrindo seus talentos
e percebeu que sua melhor companhia
quem podia lhe dar mais alegria
era ela própria
colocou um batom e uma saia rodada
e foi dançar.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Isso não é uma declaração
de amor

se a gente negar pra si mesmo
eu acho que passa
                                                                                                          deve passar
                                                                                                        tem que passar
mas quando te vejo na praça
eu quero gritar: me abraça
sem perceber, você me enlaça
e eu só queria ser a fumaça
que seus pulmões desgraça
coração, por favor, deixe de pirraça
você sabe o que acontece ao jogar pedra na vidraça?

domingo, 11 de junho de 2017

I
Queria ser mar
mas era só gota
boiando no dilúvio
respingando da cachoeira
pingava, às vezes na beira
da estrada...

que nada
já tinha passado
da sua parada
e o pensamento
não voltava
na via
via muita coisa
e não havia
muito tempo
gastou metade
de uma caixinha de fósforo
no alto
da escada

II
Queria ser mar
mas era só
gota
escorrendo
nas pedras
doce
antes fosse
dilúvio
mas era respingo
ploc- ploc- ploc
pingando
de beira
em cachoeira
poeira
líquida

III
Queria ser mar
infinito
mas era gota
contava
cada ploc
cada 12 segundos de vida
quando despencava
do alto
até atingir
o buraquinho da
pedra
tanto bate
até que
pura.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Se minhas lágrimas
pudessem te explicar
tudo isso que sinto
eu choraria sorrindo
porque com as palavras
eu, realmente, não consigo
só vou sentindo e indo
sempre
a nenhum lugar
afinal, minha cara de perdida
é só um jeito de me encontrar
sozinha
no meio de todo mundo

terça-feira, 30 de maio de 2017

Tonta demais pra escrever alguma coisa que não seja sobre como estou tonta de observar o mundo girar
 (e de parar de respirar toda vez que vejo você passar).

terça-feira, 23 de maio de 2017

estiquei o fio de elástico
entre o alto da cidade e a lua
buscando o equilíbrio
me joguei na corda bamba
do autoconhecimento
descobrindo o poder
do todo que nada é
e do nada, me encontrei
admirando o inverso
do universo
bem aqui
nesse verso

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Pássaro urbano
voa de prédio
em praça
pousa na antena
da sua casa
e capta o sinal
dos tempos contemporâneos.

Pássaro urbano
percorre a cidade
e observa de cima
a sua imensa
pequenez.
Pássaro urbano
faz ninho
no fio elétrico
se equilibrando
com cuidado
ainda assim
fica chocado.
Pássaro urbano
vive solto e
engaiolado
confundindo
lar e limite
no céu.